domingo, setembro 29, 2019

Lady Godiva



Lady Godiva
Segundo a lenda, contada por Roger of Wendover na sua crónica, tudo se passou no remoto século décimo primeiro, mais precisamente no dia 31 de maio de 1057, tinha Lady Godiva apenas 17 anos, mas já casada com Leofric, que foi presidente da câmara de Conventry, cidade do Reino Unido, hoje com cerca de 300 mil habitantes.
Leofric governava aquela pequena cidade com muita dedicação e apreço. O dinheiro era obtido através de pesados impostos cobrados aos camponeses que tinham, por isso, uma existência miserável, em prol de meia dúzia de ricos proprietários.
Apercebendo-se da dura realidade por que passavam os camponeses, seus compatriotas, Lady Godiva decidiu ajudá-los através da redução dos impostos que eram obrigados a entregar ao governo do seu marido.
Determinada a levar por diante o seu objetivo em benefício dos camponeses, enfrentou a fúria do seu marido que não estava disposto a abdicar do rendimento que lhe advinha da cobrança dos impostos. Perante a recusa do marido, Godiva encetou uma longa greve de sexo, que se prolongou por vários meses.
Cansado do celibato imposto pela mulher, propôs-lhe então que reduziria os impostos aos seus camponeses se ela desfilasse nua a cavalo pelas ruas da cidade em pleno dia. Perante tal proposta e apesar da sua elevada religiosidade, esta aceitou fazê-lo, deixando-o estupefacto com a sua coragem, o marido que resolveu logo ali, que se tal viesse a acontecer, levantaria todos os impostos por si criados.
No dia e hora combinados toda a população aguardou com expectativa o corajoso ato. Ao meio dia certo, surgiu Lady Godiva, montada a cavalo, nua, sem ostentar qualquer joia ou ornamento, exceto o longo cabelo que lhe escondia, parcialmente, o corpo. Atravessou o mercado, mantendo a postura de sempre, relaxada e confiante. E todos os que a viram diriam mais tarde que ela se apresentava decente, e ninguém pensou jamais que estaria despida debaixo dos seus cabelos.
Leofric manteve a sua palavra e apenas ficou a ser cobrado um imposto sobre os cavalos que já existia antes da sua direção.

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

QUE DIABO DE SITUAÇÃO

O sol, a pique, incendiava a aldeia àquela hora do dia. António, junto a cama, tentava aliviar a febre de Beatriz, sua mulher há mais de quarenta anos, limpando-lhe a testa com um pano encharcado em água fria. Viviam só os dois desde que o José, seu único filho, se casou e foi viver para Lisboa onde arranjou trabalho. Os vizinhos que já eram poucos e velhos deixaram a aldeia, uns após outros e foram também viver para junto dos seus filhos espalhados pelas grandes cidades do país - Lisboa, Porto, Viseu e muitas outras. Sem ninguém a quem recorrer naquele momento de aflição, procurava encontrar algumas melhoras na febre da mulher para ir a mercearia do senhor Júlio e telefonar ao médico que vivia na vila, a quatro quilómetros dali. Estava nessa lida de espera e já a lembrar-se do caminho que tinha de palmilhar depressa.
                -Beatriz, ficas aqui um bocadinho sozinha que eu vou telefonar a mercearia do senhor Júlio, para o senhor doutor cá vir, está bem?
                - Está bem, António, vai lá – disse-lhe em voz quase impercebível e sem abrir os olhos.
                - Eu já volto!
Já na estrada, olha o sol como que a pedir-lhe misericórdia e aconchega o chapéu a sua cabeça. Caminha apressado sem tirar os olhos do asfalto escuro de onde vinha um cheiro intenso a alcatrão derretido. Revisita a imagem da sua mulher deixada estendida em cima dos lençóis, amarrada aquela maldita febre que teima em ficar para sempre naquele corpo já débil. Levanta os olhos por uns instantes a medir o caminho que falta ainda percorrer e apressa o passo mais um pouco para ver se ganha algum tempo.
- Boa tarde, senhor Júlio!
- Boa tarde, António. Então que tens, homem, vens com ar cansado! – Apressa-se a perguntar o dono da mercearia indo ao seu encontro.
- É a minha Beatriz! Está com muita febre e já não sei o que fazer! – Responde-lhe já quase sem folego enquanto se aproximava do telefone.
- Tem o número de telefone do senhor Doutor Alberto?
- Sim, está aí num papel dependurado por cima do telefone. Consegues vê-lo?
- Já vi, obrigado! – Responde sem o olhar o merceeiro enquanto levantava o aparelho para marcar os números.
- Está lá! É da casa do senhor doutor Alberto?
- É sim, quem fala?
- Daqui é o António, de Santo António do Côa. Ele conhece-me muito bem porque já cá veio a minha casa muitas vezes. Era para lhe pedir que viesse cá ver a minha mulher, que está muito doente!
- Está bem! O senhor doutor, está mesmo a acabar uma consulta e vai já para aí!
- Obrigado! Diga-lhe que é muito urgente, está bem!
Pousou o telefone e apronta-se para sair enquanto preparava o pagamento do serviço ao merceeiro que já estava ali junto a ele a tentar consolá-lo.
- Deixa lá, António. Logo pagas para a outra vez. Vai mas é depressa para junto da tua mulher que precisa de ti!
- Obrigado, senhor Júlio! – E sai arrastando consigo as fitas de plástico dependuradas na porta do estabelecimento por causa das moscas, que eram muitas naquela estação do ano.
Com o tino na sua mulher, mete-se a caminho de volta para casa. Estava já a entrar no curral quando um carro, que vinha apressado, para mesmo em frente ao portão que ele se preparava para fechar. Lá de dentro sai um homem, metido num fato preto já gasto e de pasta na mão. Era o senhor doutor Alberto.
- Boa tarde, António!
- Boa tarde, senhor doutor. Entre, se faz favor!
O doutro Alberto segue apressado a frente, logo seguido pelo dono da casa e dirige-se para o quarto que já conhecia de outras vezes. Sobre a cama vê uma mulher estendida e serena. Olha-a primeiro lá do alto e depois debruça-se sobre ela e agarra-lhe o pulso. Por fim, vira-se para trás cabisbaixo e dirige-se ao dono da casa.

- Lamento, António! Desta vez, não pode fazer nada!

domingo, novembro 09, 2014

Felizes para sempre

E viveram felizes para sempre; Mas António e Marta recordaram, ainda tenros de idade mas fortes no amor, aquele instante, naquele dia.

Os dias foram passando e os anos também; Mas para os dois, os dias deixaram de ter noites, só dias; Para os dois, deixou de haver amanhãs e onténs, só hoje; Para os dois, deixou de haver verões e invernos ou outonos tristes, só primaveras. Para os dois, o tempo parou naquele instante, naquele dia.

Mas os anos traiçoeiros, vão e vêm sem serem convidados. E a velhice veio e prometeu-lhes a tristeza mas o amor deu-lhes a alegria; A velhice prometeu-lhes dias e noites mas eles só quiseram o seu dia; A velhice prometeu-lhes verões e invernos e outonos tristes mas eles só quiseram primaveras como naquele instante, naquele dia.

Depois houve um dia, em que o dia chegou negro. Os dois abraçados, olharam-se como naquele primeiro instante, naquele dia. E depois deixaram-se ficar a olhar aquele dia como se já não houvesse outro. Sentaram-se e aguardaram a sua vez. Depois deitaram-se abraçados um no outro e assim ficaram para sempre, como naquele instante, naquele dia.

Voaram como só as andorinhas sabem voar. Brincaram pelos campos em voos rastejantes e alegres como só as crianças sabem fazer e visitaram lugares seus a despedirem-se deles. Depois, em voos cada vez mais altos desapareceram envoltos em castelos feitos de nuvens brancas, como naquele instante, naquele dia.


A recebê-los estavam anjos e arcanjos que lhes cantaram sinfonias nunca ouvidas. Transportaram-nos, depois, em procissão até ao Rei que os aguardava sentado no seu trono feito de nada; Abre-lhes os braços e aperta-os como só um pai o sabe fazer. E depois sobem os três, seguidos por mais anjos e arcanjos e querubins e eles deixaram-se ir como naquele instante, naquele dia. 

Joaquim Ricardo

segunda-feira, outubro 21, 2013

NOVOS DESAFIOS PARA AS AUTARQUIAS

Com a publicação da Lei nº 73/2013, de 3 de Setembro, as autarquias locais e as comunidades intermunicipais têm um novo regime financeiro que entrará em vigor no dia 1 de Janeiro de 2014.

Este novo regime, entre outras novidades, estabelece que a receita proveniente do imposto municipal sobre as transmissões onerosas (IMT) - a antiga "sisa" deverá ser extinto progressivamente em 2016, um terço, e em 2017 os restantes dois terços - ou seja a partir de 2018 estas entidades não poderão contar com a receita proveniente deste importante imposto local.

Outra novidade com impacto para as freguesias é a prevista no seu artigo 85º onde determina que o regime de transferências para as freguesias previsto no artigo 38º, inicia a sua vigência no ano de 2016, e que nos anos de 2014 e 2015, o montante das transferências para as freguesias corresponde ao valor transferido em 2013 ou, em caso de agregação, à soma dos valores transferidos para as freguesias agregadas.

A redução das receitas e a transferência de competências para as novas entidades - as Comunidades Intermunicipais faz com que as autarquias tal como as conhecemos actualmente perderão não só receitas próprias mas também uma parte significativa da sua autonomia decisória. 

sábado, outubro 19, 2013

DECLARAÇÃO DE FIM DE MANDATO COMO VEREADOR


A 13 de Outubro de 2009, o povo quis que eu me sentasse neste lugar e o representasse durante quatro anos neste executivo - Foi o que fiz, durante mais de uma centena de sessões - Ao povo não lhe virei as costas!

Nasci e fui criado neste imenso concelho numa das suas mais de noventa aldeias e, apesar disso, confesso-o agora, não o conhecia como hoje o conheço. Num território que iguala, em área, a da ilha da Madeira, a sua realidade é uma realidade diferente de aldeia para aldeia – as suas gentes e as suas necessidades são diversas também!

Hoje, sendo a última sessão ordinária, é hora de prestar contas e agradecer publicamente a quem me acompanhou nos bons e nos maus momentos, neste longo caminho. E, sem querer magoar ninguém, é minha obrigação agradecer publicamente ao Alberto Monteiro – Presidente da Junta de Freguesia de Valongo, pelos seus sábios conselhos e apoio desinteressado que me deu ao longo destes últimos cinco anos sem os quais seria praticamente impossível levar a bom porto este meu trabalho.

O compromisso eleitoral, que o nosso grupo assumiu durante a campanha intensa de divulgação que desenvolveu ao longo de mais de um ano de contactos com a população, era extenso e continha as linhas mestras – o rumo - que levaria o nosso concelho ao seu desenvolvimento económico e social.

Durante estes últimos quatro anos e tendo em conta o mandato que o povo nos deu – cerca de 18% dos votos, desenvolvemos o nosso trabalho em parceria com os restantes membros do executivo destacando, entre outros, os seguintes resultados:

A criação do Boletim Municipal; A urbanização das margens do Côa (projecto entre pontes); O saneamento básico e o abastecimento de água foi praticamente concluído e, por último a criação do balcão único, cuja concretização e implementação em muito contribuiu para a melhoria do atendimento dos munícipes.

Para além do que inicialmente nos propúnhamos fazer, elaboramos um estudo exaustivo sobre os desperdícios ocorridos na rede baixa de água ao domicílio e sobre as infiltrações ilegais de águas pluviais na rede de saneamento básico. As conclusões constam da acta nº 8/2011, de 13 de Abril onde foi aprovado por unanimidade o Plano Municipal para o uso eficiente da Água que prevê a redução de desperdícios comerciais verificados na rede e que são: Da água distribuída ao município este somente factura cerca de 30% e o mesmo se verifica no saneamento onde cerca de 70% da água residual tratada nas diversas ETAR´s e paga pelo município à empresa AdZCôa não tem retorno por parte dos consumidores, pois resulta de infiltrações de águas estranhas ao sistema.

Acresce que em resultado desse trabalho, actualmente os espaços verdes da cidade já estão a ser regados com água da barragem, quando antes era regada com água da rede.

Para terminar o elenco das nossas principais iniciativas, de referir que a elaboração do Plano estratégico Sabugal 2020 se deveu a uma proposta por nós apresentada e aprovada por unanimidade. Este documento estratégico, depois de concluído, deverá ditar o rumo do concelho nos próximos anos.

Pelo exposto, podemos concluir que saímos deste mandato com a consciência de dever cumprido!

Aproveito esta oportunidade para agradecer a todos os funcionários da Câmara e Empresa Sabugal +, sem excepção, por toda a dedicação e colaboração que me dispensaram e em especial a equipa que com um trabalho de grande qualidade e profissionalismo nos secretariou durante estes quatro anos – D. Isabel, D. Teresa e D. Ivone, sem esquecer a Dra Conceição, sempre pronta a esclarecer-nos quando o assunto era financeiro. Sem eles o nosso trabalho seria ainda mais difícil.

Resta-me, para terminar, dizer algumas palavras aos ilustres colegas, companheiros deste caminhar longo e nem sempre tranquilo. E permitam-me que o faça dirigindo-me pessoalmente a cada um de vocês:

A vereadora Sandra, pela tenacidade com que defendeu os seus pontos de vista, apesar da juventude que resulta dos seus pouco mais de três dezenas de primaveras – a mais jovem de todos nós: Um bem-haja pela tua amizade e votos de um caminho politico repleto de êxitos!

Ao vereador Francisco Vaz – o nosso “Xico Tó”, pela sua total dedicação que emprestou durante o seu mandato e pela sabedoria que demonstrou na condução política dos assuntos mais polémicos (e foram alguns!). Um abraço forte pela tua amizade e ajuda em momentos delicados!

Ao vereador Luís Sanches que pela sua experiência me soube transmitir ensinamentos preciosos durante o mandato, ele que, não se cansava de repetir: “Já cá ando à muito tempo!” Um forte abraço também para ti, Luís!
          
        Ao vereador Ernesto que com a sua profunda simplicidade soube sempre distinguir o politico e o amigo que estou certo é e irá continuar a ser!

À Vice-Presidente Delfina: Atravessamos momentos difíceis onde eu nem sempre soube distinguir a cidadã, da politica - cidadã. Agora, olhando para trás, reconheço os exageros cometidos e estou certo que ambos já os esquecemos há muito. Foram momentos e só momentos de uma vida de quatro anos de trabalho dedicado onde o significado das palavras e dos actos nem sempre traduzem o que nos vai no coração!

Por último, quero deixar aqui bem expresso e público o meu reconhecimento ao senhor Presidente, Engº António Robalo pela forma inteligente, afável e perspicaz como sempre me tratou ao longo deste mandato – Foram inúmeros os momentos em que no calor da discussão me saltaram palavras menos respeitosas para consigo. Porém, acredite, foram sempre palavras e somente palavras que o coração não sentiu, pois a si levo-o como um grande amigo – Um grande amigo mesmo!



terça-feira, janeiro 24, 2012

O Orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2012

A propósito da aprovação do Orçamento e Grandes Opções do Plano para o ano de 2012, apresentei em nome do Movimento Independente, a seguinte declaração de voto.

"O Orçamento que foi apresentado para aprovação não é mais do que uma longa lista de despesas e de receitas onde infelizmente estas diminuem e aquelas aumentam drasticamente de ano para ano.

Caminhamos a passos largos para uma situação de bancarrota se não forem tomadas medidas do lado da despesa de molde a diminui-la e ao mesmo tempo implementar outras do lado da receita, de molde a aumentá-la, especialmente no que diz respeito as receitas próprias já que as provenientes dos cofres do Estado Central tendem até a diminuir.

Este é um orçamento com o qual não me identifico. Não encontro nele o esforço necessário para a contenção de despesas correntes tão necessário para a sustentabilidade de toda a estrutura autárquica a médio e longo prazo. Com efeito verificamos que de ano para ano, as várias rubricas orçamentais aumentam não obstante os apelos feitos pelos nossos governantes actuais que vão no sentido de reduzir as respectivas despesas. E isto é tanto mais grave quando se sabe que as receitas tendem a reduzir de ano para ano.

Apesar disso não vou baixar os braços. Não basta estar em desacordo. É necessário apresentar alternativas que melhorem o documento. Este é o caminho de uma oposição consciente e responsável. É o que farei depois de fazer a análise ao que nos é apresentado.

As receitas próprias do município no valor de 4,491 milhões de euros, representam somente 38% do total das receitas sendo portanto as receitas provenientes das transferências da administração central no valor de 7,264 milhões de euros a maior fatia - 62% do total.

É um cenário fortemente dependente de terceiros e por isso perigosamente revelador de grandes constrangimentos financeiros futuros. Receitas próprias inferiores a 50% do total seriam o aconselhável, salvo melhor opinião.

As receitas próprias podem e devem aumentar se houver da parte do executivo a coragem de combater inúmeras situações de subfacturação no caso do abastecimento de água ao domicílio, onde abundam consumos não contabilizados e por conseguinte não facturados. A par dessa situação existem casos de novos contratos por fazer que só por incúria ou falta de vontade se mantêm originando de imediato uma quebra na receita e ao mesmo tempo uma situação de injustiça social: Uns pagam o que consomem, outros consomem o que não pagam. Por outro lado, existem inúmeros novos potenciais clientes que ainda não procederam a ligação a pública porque não houve ainda “tempo” de fazer os respectivos contactos e registos adequados para que os seus consumos sejam facturados e o mesmo acontecendo na rede de esgotos com inúmeras situações de falta de ligações à rede e tudo isto traduzir-se-ia num aumento das receitas próprias.

Cerca de 57% das receitas próprias estimadas, no valor de 2,429 milhões de euros, dizem respeito à exploração da rede baixa de água ao domicílio e do parque eólico do concelho. E, se relativamente as receitas da água, entendo que estão muito abaixo do que seria espectável receber, pelas razões acima apontadas, já os valores estimados receber relativos aos parques eólicos – 958 mil euros, é um valor redondamente irreal, face ao valor recebido em 2011 – 217 mil euros e do conhecido aumento destas estruturas. A este respeito importa ainda explicar a discrepância do valor efectivamente recebido em 2011, que quase não atingiu 50% do recebido em 2010, de 380 mil euros.

Os Impostos; taxas e outras penalidades e rendimentos da propriedade são responsáveis pela restante fatia das receitas próprias.

É urgente que as receitas próprias sejam mais representativas. E, se no que diz respeito às restantes receitas não se conseguirá aumentar o seu valor, já no que diz respeito à exploração da água e saneamento será possível um aumento se se fizer nomeadamente um forte investimento na requalificação da rede, evitando-se ao máximo o desperdício e ao mesmo tempo combatendo a subfacturação.. Não é aceitável que o custo da água vendida seja superior em mais de 60% às vendas verificadas: (1 000 M€ de custos e 0,422 M€ de vendas).

As despesas com o pessoal no valor de 4,288 M€ representam 37% do total das despesas correntes e quase que consomem a totalidade das receitas próprias da autarquia.

As despesas com a aquisição de serviços no valor de 4,782 M€, representa 41% de toda a despesa corrente sendo que deste valor a compra de água (0,725 M€), o tratamento de afluentes (0,604 M€) e o consumo de energia eléctrica da iluminação pública (0,861 M€) representam 51%. Refira-se a este propósito que a despesas com o tratamento de afluentes é fruto do mau estado em que se encontram as condutas do saneamento de todo o concelho necessitando de uma intervenção rápida e urgente, conforme já foi relatado no Plano para o uso eficiente da água, em devido tempo aprovado por este executivo. Aliás com um exercício simples de observação com os valores de venda de água (0,422 M€) conclui-se que às ETAR´s chegam caudais de água não facturada. E a água facturada nem toda chegará à ETAR – 80% seria o razoável! E, assim, grosso modo, o pagamento razoável de tratamento de afluentes face à venda de água nunca poderia ultrapassar pouco mais de 0,300 M€.

Por outro lado os custos com a iluminação pública são exagerados e têm vindo a aumentar desde 2009: 2009 – 0,617 MK€; 2010 – 0,760 M€; 2011 – 733 M€ e finalmente para 2012 – 861 M€. É urgente elaborar-se um plano de poupança. Não podemos desperdiçar recursos que não temos!

Os subsídios representam também uma importante fatia das despesas correntes, cerca de 13%.

Relativamente às Grandes Opções do Plano as propostas apresentadas, salvo raríssimas excepções, estão muito aquém das necessidades do concelho.

Construir equipamentos é importante; construir estradas é também muito importante mas do que nós precisamos urgentemente é de pessoas e estas só se fixarão se houver empregos que sustentem as suas famílias. Este é, com efeito, o maior flagelo do nosso concelho.

Ora, olhando para os GOP´s de 2012 no valor de cerca de 12 milhões de euros não detectamos uma única iniciativa potenciadora da criação de empregos. Insignificantemente verificamos na rubrica: Dinamização do tecido empresarial local uma verba no valor de 0,400 M€ destinado ao “Programa de Inovação e Empreendorismo Rural”, aquisição de terrenos no valor de 0,447 M€ e 0,124 M€ para o Pólo empresarial do Soito, totalizando tudo não chega a 1 milhão de euros ou seja menos de 10% de todo o valor previsto e de eficácia duvidosa na criação de empregos locais.

Assim e por tudo quanto ficou dito e indo ao encontro do desafio lançado pelo senhor Presidente vou, em seguida, apresentar algumas propostas de melhoramento do Orçamento e das GOP´s para 2012. São medidas de correcção que pretendem atenuar as fracas propostas apresentadas e assim melhorar os documentos.

a) Sabugal 2020 – Plano Prospectivo e Estratégico para o Concelho: Proceder a um rigoroso estudo prospectivo envolvendo técnicos credenciados na área e a população em geral que permita ajudar os responsáveis autárquicos a tomar as melhores decisões de modo a traçar um rumo seguro para o concelho, aproveitando as oportunidades de financiamento do novo quadro comunitário que se prolongará até 2020;

b) Plano para o Uso Eficiente da Água: Executar na íntegra o plano já aprovado em reunião de Câmara. A execução deste plano depois de concluído, irá reforçar as verbas relativas as receitas próprias da autarquia, eliminando desperdícios de água e ao mesmo tempo regularizando os caudais de águas que afluem para tratamento nas ETAR´s. Assim, aumentará a facturação e diminuirão os custos com o tratamento de águas residuais.

c) Poupança Energética: Elaborar um estudo e promover a sua implementação no terreno tendo em conta atenuar o consumo de energia eléctrica. A execução deste plano permitirá uma redução na despesa com o consumo de energia eléctrica.

d) Ligações Sabugal - Guarda (A25): Sabugal - Covilhã (A23): Diligenciar junto da Administração Central para, a custas desta, executar um novo traçado das actuais ligações à Guarda e a Covilhã, em traçado do tipo via rápida.

e) Requalificação da Avenida de S. Cristóvão no Soito: Esta via é estruturante naquela vila e aspiração de longa data. Com a abertura do Centro Escolar é urgente a sua construção/requalificação, dado o fluxo de alunos previsíveis.

f) Construção de um Pavilhão Multiusos: As instalações onde actualmente funcionam os serviços de água, saneamento e obras não têm as mínimas condições. Os funcionários merecem condições de trabalho pois a sua rentabilidade também depende das condições que lhes possamos dar. Para além disso, o concelho precisa urgentemente de um pavilhão multiusos que permitam servir o seu tecido empresarial actual e o futuro.

g) Requalificação das Margens do Côa – 2ª Fase: Durante o próximo ano deverá elaborar-se um projecto de requalificação da margem esquerda do rio, incluindo a construção de uma praia artificial nos terrenos da Coacamping, assim como a construção de uma estrutura para caravanismo;

h) Entrada sul da Cidade: A Rua Marquês de Pombal é uma artéria muito importante da cidade do Sabugal e comparativamente com a entrada norte esta apresenta-se em muito mau estado e nada atractiva. É uma via por onde passam abundantes turistas com destino a aldeia histórica de Sortelha, nomeadamente a partir do cruzamento com a estrada nacional 233 e passando pelo aglomerado do Bairro de S. Pedro a necessitar também de um pequeno alargamento.

Como dizia John Blanchard “Há ocasiões em que o silêncio é ouro, mas há outras em que é pura covardia”. Este não é o momento para a oposição ficar calada. Este é o contributo do Movimento Independente que tenho a honra de liderar para melhorar o documento apresentado".

Esta proposta foi aprovada por unanimidade do executivo e por conseguinte fará parte integrante das Grandes Opções do Plano para o ano de 2012. Foi nesse pressuposto que viabilizei a aprovação do documento.

Estarei atento e vigilante!

sexta-feira, junho 03, 2011

DEPOIS DA FESTA!......

Durante duas imensas semanas nas cidades e vilas fizeram-se famosas “Arruadas”, onde os políticos, candidatos aos “tachos” (agora declarados vagos!) se desdobram em sorrisos e beijos a tudo quanto lhes aparecia pela frente! E era um prazer vê-los!...... de sorrisos rasgados, peito aberto e mangas arregaçadas até aos cotovelos! E lá iam eles, ora rua abaixo ora rua acima, sempre abundantemente acompanhados pelo seu próprio exército de bandeiras em punho e gritando palavras de ordem apropriadas ao compromisso eleitoral que o seu líder previamente lhes havia transmitido em primeira mão! Há!..... e sendo mercado na terra lá estavam todos mendigando votos aos feirantes e aos seus fregueses!

Há noite, juntaram-se em enormes banquetes, em espaços cobertos e de grandes dimensões! Quem quisesse ir bastava inscrever-se no café da aldeia ou vila para terem lugar na “carreira” que os haveria de transportar de ida e volta! À sua chegada esperavam-nos os “agentes oficiais” – jovens de preferência, que lhes distribuíam os apetrechos para aquela jorna: um boné, umas esferográficas e uma bandeira tudo a custas do partido (que é como quem diz – do contribuinte!) que exibiram bem alto quando lhes era pedido que é para isso que ali estavam! E depois de bem “comidos e bebidos” começam os discursos. Primeiro e para aquecer o ambiente, iam entrando os menos “cotados” no partido mas com dom de palavra garantida, que conseguem os primeiros delírios da multidão que levanta bem alto as bandeiras e exibem os bonés já postos no seu lugar, como lhes fora pedido! Por último e já com o povo bem “quente” entrava o “líder!” – sorridente, sempre sorridente! e sempre de braços no ar acenando para a multidão anónima que o empurrava para o seu “púlpito” onde o esperava já o discurso que havia de ler e o indispensável copo com água! E já no sítio, levanta mais uma vez os braços e agora bem mais alto e com maior vigor impressionando a imensa multidão, agora toda de pé e com as bandeiras para cá e para lá! Berrando também palavras de ordem, imitando o “seu” líder!

E AGORA!... Bem agora é que são elas…….A festa acabou!........ e todos esperamos ansiosos pelo comportamento dos ganhadores que irão ser os novos lideres, agora de todo o povo, votantes ou não!

A ver vamos, como diz o POVO!